Trabalho externo de Delúbio é suspenso após denúncias de regalias na prisão

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Delúbio deixa o prédio da CUT, onde trabalha, no setor comercial sul, em Brasília - Givaldo Barbosa / Agência O GloboBRASÍLIA – A Vara de Execuções Penais (VEP) em Brasília decidiu suspender o trabalho externo do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares até que seja apurada a situação de regalias dentro do Centro de Progressão Penitenciária (CPP), presídio onde o réu do mensalão passa as noites. Conforme a decisão judicial assinada na noite desta quinta-feira, 27, a Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) do Distrito Federal deve transferir Delúbio do CPP para o Centro de Internamento e Reeducação (CIR), dentro do complexo da Papuda, unidade onde estão o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) e o ex-deputado federal João Paulo Cunha (PT).

 

O CPP é destinado a presos em regime semiaberto que já obtiveram o direito de trabalhar fora durante os dias e apenas passar as noites no presídio. O CIR também é usado para o regime semiaberto. A unidade é ocupada por detentos ainda sem autorização de trabalho externo. A suspensão das atividades de Delúbio na Central Única dos Trabalhadores (CUT) é cautelar. Durará pelo menos até o próximo dia 18, quando uma audiência com o réu vai averiguar sua eventual participação nas regalias existentes dentro do CPP. A partir de então, os juízes da VEP decidirão se ele deve permanecer em definitivo sem o benefício de trabalho externo.

 

A transferência ao CIR deve ocorrer após o dia de trabalho de Delúbio na CUT, no fim da tarde. A decisão judicial é uma resposta ao pedido formulado pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) para que os réus do mensalão sejam transferidos a um presídio federal, caso não cessem as regalias existentes tanto no CIR quanto no CPP. Se os juízes da VEP entenderem ser impossível uma mudança por parte do governo do DF, do petista Agnelo Queiroz, um requerimento deve ser enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) com a proposta da transferência, conforme a sugestão das promotoras de Justiça.

 

Visitas

 

O GLOBO revelou que Dirceu continua recebendo visitas em dias e horários especiais na Papuda, à revelia de uma decisão judicial de dezembro que conferiu isonomia no sistema prisional. Parlamentares entram no presídio com coletes da Polícia Civil do DF, junto com a escolta policial e até mesmo dentro de carros de diretores de presídios, como relatam servidores do sistema. O deputado distrital Chico Vigilante, líder do PT na Câmara Legislativa do DF, disse ao GLOBO que “pode adentrar a qualquer momento” na Papuda. O último encontro com Dirceu foi na semana passada.

 

Já no CPP, os dirigentes máximos da unidade deixaram seus cargos em razão das regalias ofertadas a Delúbio, como revelado pelo GLOBO. O vice-diretor Emerson Antonio Bernardes foi demitido após ordenar que o petista fizesse a barba e depois de impedir que o carro da CUT estacionasse no pátio interno do presídio. Além disso, ele registrou a ocorrência de um encontro suspeito, num fim de semana, entre o ex-tesoureiro do PT e o presidente do Sindicato dos Agentes de Atividades Penitenciárias (Sindpen) no DF, Leandro Allan Vieira, pré-candidato a deputado distrital pelo PTC, partido da base aliada do governador Agnelo.

 

Na decisão da VEP, o governo do DF terá 48 horas para provar à Justiça que pode manter os presos do mensalão no sistema sem diferenciação dos demais. O prazo começa a ser contado a partir da intimação. Além disso, a Sesipe tem de informar todas as visitas registradas nas unidades prisionais. E deixar de obrigar as direções dos presídios a repassar informações prévias à subsecretaria. O coordenador-geral da Sesipe, João Feitosa, baixou uma portaria obrigando os diretores a repassarem as informações a ele, antes de encaminhá-las ao MPDFT e à VEP.

 

Fonte: O Globo