Servidores da saúde protestam por atraso salarial no HDT

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Segundo o Sieg, mais de mil colaboradores do hospital, entre enfermeiros e farmacêuticos, estão sem receber desde o início de junho; OS afirma não ter recebido repasse do Governo de Goiás

Servidores da saúde do Hospital de Doenças Tropicais (HDT) realizam, na manhã desta terça-feira (30), uma manifestação por estarem há mais de 60 dias sem receber seus salários. A mobilização ocorre na entrada da unidade de saúde. Em entrevista concedida ao Mais Goiás, o técnico em enfermagem Gustavo Beda contou que o repasse dos valores referentes aos meses em aberto já foi realizado pela Secretaria de Saúde de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) para a OS Instituto Sócrates Guanaes (ISG), responsável pela administração do hospital. Entretanto, até o momento, os vencimentos não foram pagos.

“Nós já fomos ao Ministério Público do Trabalho, já entramos em contato com a OS, mas mesmo assim não recebemos os salários. Nós estamos trabalhando sob pressão. Estamos aqui no hospital com a cabeça nas contas para pagar. Os gestores nos cobram o tempo inteiro, mas não veem o quanto estamos sendo prejudicados. A maioria de nós recebe no máximo R$ 1.800, os gestores ganham mais que o triplo do piso”, vocifera.

Por outro lado, em nota, a diretoria do Hospital alega não ter recebido os repasses referentes ao mês de julho, mas que tem “procurado priorizar ao máximo o pagamento aos colaboradores” e que os salários dos servidores serão pagos ao receberem os valores do Governo. Em outro trecho, o ISG afirma que mantém “seu compromisso de salvar vidas, atuando para mitigar assim que possível, os transtornos ocasionados pela escassez de recursos, tão logo haja a normalidade dos repasses previstos para o contrato de gestão”. (Leia a nota na íntegra no final da matéria)

Trabalho escravo?

Segundo a vice-presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Goiás (Sieg), Dionne Hallyson Silva de Siqueira, os colaboradores de quase todos os departamentos do HDT estão sem receber os salários. Em uma reunião realizada entre o Sindicato e a SES-GO, o secretário de saúde, Ismael Alexandrino, confirmou que o Governo já realizou o repasse dos meses que a OS insiste em alegar não ter recebido.

“São mais de mil colaboradores com salário atrasado. Nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, auxiliares de enfermagem, enfim, quase todo o hospital. O Estado tem que fiscalizar essa OS, saber o que está acontecendo. Esses servidores estão trabalhando sem receber há dias, isso já caracteriza trabalho escravo! Se o Governo fala que pagou e o hospital diz que não recebeu, para onde ele está indo?”, declara.

Para Dionne, é impossível que os trabalhadores do Hospital consigam exercer com excelência seus serviços uma vez que eles não conseguem pagar as contas de água, luz ou, até mesmo, levar comida para a mesa da família. “Isso afeta realmente a assistência aos pacientes, a qualidade da prestação de serviço. Se ele [colaborador] não tem dinheiro, como vai trabalhar? Isso adoece os servidores física e psicologicamente. Eles são seres humanos”, declara.