Três cidades goianas lideram ranking nacional de dengue no 1º bimestre

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Três municípios goianos aparecem no topo do ranking das dez cidades que mais registraram casos de dengue no primeiro bimestre deste ano, segundo um levantamento do Ministério da Saúde. Em primeiro lugar está Goiânia, com 6.089 notificações. Depois vem Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, com 2.888 casos, seguida por Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, com 1.838. Duas mortes em razão da doença foram registradas no estado neste período.

Aprenda a identificar os sintomas. Um médico sempre deverá ser consultado. Arte: G1
Aprenda a identificar os sintomas. Um médico sempre deverá ser consultado. Arte: G1

De acordo com o ministério, das dez cidades que concentraram 86% dos casos no “Mapa da Dengue”, seis apresentaram incidência maior do que 300 ocorrências por 100 mil habitantes, sendo que Goiânia voltou a liderar essa lista, com média de 436,9. Para a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS), o principal “culpado” pelo resultado é o vírus tipo 4, introduzido na cidade no final de 2012.

 Segundo a diretora de Vigilância em Saúde da SMS, Flúvia Amorim, muitas pessoas ainda estão suscetíveis a esse tipo de vírus. “Em levantamentos, fizemos coletas e observamos que 40% das pessoas foram infectadas pelo vírus tipo 1. Isso significa que este percentual ainda pode contrair o vírus tipo 4. Um número grande de pessoas ainda pode ter a doença se medidas não forem tomadas”, alerta.

Flúvia explica que existem quatro tipos de vírus e todos eles são encontrados em Goiás. Quando alguém é infectado por um desses tipos, fica imune a ele, mas não aos outros. A diretora diz que todo o país está exposto ao tipo 4 da doença, mas que em outras capitais, boa parte da população já está imune a ele.

A diretora afirma que, apesar dos números, o nível de cuidado em Goiânia é considerado de alerta e não de risco. “Tivemos uma redução de 78% nos números de casos em relação ao mesmo período do ano passado. A situação agora está bem melhor que em 2013, quando tivemos nossa pior epidemia”, conta. Naquele ano, segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 53.288 casos.

Já a Secretaria Estadual de Saúde afirma que a situação é preocupante. “Houve uma redução em relação ao mesmo período do ano passado, mas é até injusto fazer essa comparação, pois em 2013 tivemos a pior epidemia da história. Então, esse registro das três cidades neste ano ainda é preocupante”, afirmou o coordenador de Controle da Dengue da Secretaria, Murilo do Carmo.

Segundo ele, o governo estadual está fazendo reuniões nas cidades e fazendo ações para ajudar no combate a doença. “Em Goiânia, por exemplo, já temos nove carros fumacê circulando para aplicação de veneno e eles ficarão a disposição até que o problema seja solucionado. Caso seja necessária mais ajuda em Aparecida de Goiânia e Luziânia, vamos disponibilizar equipes técnicas e mais carros”, destacou.

Além das cidades goianas, completam o “Mapa da Dengue” os municípios de Campinas (SP), com 1.739 casos; Americana (SP) 1.692; Belo Horizonte (MG), 1.647; Maringá (PR), 1.540; São Paulo (SP), 1.536; Brasília (DF), 1.483; e Campo Belo (MG), 1.410.

 Luziânia
Cidade goiana que fica no Entorno do Distrito Federal, Luziânia aparece em segundo lugar no ranking de casos de dengue. Para o secretário de saúde do município, Watherson Roriz de Oliveira, um dos motivos para o resultado foi o fortalecimento da equipe de vigilância epidemiológica. “Passamos a notificar todos os casos suspeitos de dengue e isso pode ter refletido nos números. Mas o importante é que estamos trabalhando firme para reverter esse quadro”, disse em entrevista ao G1.

O secretário afirma que, apesar dos casos notificados, 1.535 foram confirmados. “É importante ressaltar que existe essa diferença, pois nem todos os notificados se confirmam. Mas a qualquer suspeita, a gente faz a coleta do material para análise e notifica o Ministério da Saúde, pois só desta maneira podemos ver qual é a real situação do município”, explicou.

De acordo com Watherson, as estratégias preconizadas pelo Ministério da Saúde estão sendo adotadas na cidade. “Continuamos fazendo as visitas de casa em casa para conscientizar a população de que combater a dengue é um papel de todos e não apenas da prefeitura. Além disso, neste ano vamos realizar o manejo sanitário de entulhos das casas durante o ano inteiro, pois esses lixos acabam virando focos de criadouros dos mosquitos”, destacou.

Aparecida de Goiânia
Já em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana, a prefeitura diz que, apesar de ocupar o terceiro lugar no ranking, houve uma queda de 7.906 casos em 2013 para 1.838 no mesmo período deste ano. No entanto, admite que a situação ainda não é confortável.
“Continuamos realizando as ações de prevenção em todo o município, pois alguns focos do mosquito persistem. A infestação também é resultado do clima quente e chuvoso, que favorece ainda mais a proliferação dos mosquitos transmissores da dengue”, explicou ao G1 a diretora de Epidemiologia e Saúde Ambiental de Aparecida de Goiânia, Vânia Cristina Rodrigues.

Segundo ela, apesar dos números, a cidade ainda não está em estado de alerta. “Continuamos dentro da média, mas queremos mudar essa situação. Para isso, usamos quatro carros fumacês, principalmente nos locais onde são registrados criadouros, e fazendo o combate foco a foco. Também fazemos o trabalho de conscientização dos moradores, para que evitem deixar água parada”, ressaltou a diretora.

Sofrimento
Quem já teve a doença, como a estudante Janete Vale, infectada no início deste ano, sabe bem como a recuperação é difícil. “Prejudicou muito a minha saúde, eu pensei que ia morrer, do tanto que era dor, do tanto que ela me debilitou”, afirmou.

E essa foi a segunda vez que a estudante foi diagnosticada com dengue. Em 2008, ela teve um tipo ainda mais perigoso, que foi a dengue hemorrágica. “Aparência toda amarela no corpo, o rosto, pálida, sangramento”, lembra a jovem.

Para ela, só a disseminação de informações sobre a gravidade da doença pode ajudar a mudar a consciência da população para combater os criadouros do Aedes aegypt, mosquito transmissor da doença. “Quem não sentiu ainda, não teve, não sabe o que é passar pela doença, ela é terrível, ela debilita o ser humano, ela leva a morte”, diz.

Fonte: G1