Música ou karaokê

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      A partir de 2011 será obrigatório aulas de Música nas escolas. Foi aprovada pelo senado e sancionada pelo Presidente da República a Lei 11.769 de 18 de agosto de 2008. Para a infelicidade de muitos, a Lei, ao ser sancionada, foi suprimida um artigo, que previa que o ensino deve ser ministrado por profissionais professores de formação específica.
A Lei n 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (LDB) é clara quanto à formação dos professores de educação básica, no “Artigo 62, A formação em curso de licenciatura plena, portanto, é exigida de todo e qualquer professor da educação básica, seja aquele que vai ensinar música, língua portuguesa, matemática ou qualquer outra área de conhecimento prevista na LDB. .
       Ao revogar este artigo, o governo federal articulou uma desculpa sem lógica: não será cobrado, diplomas de formação necessário para os professores curso superior de Música e alegou que, no Brasil, há inúmeros profissionais músicos de sucesso, sem nenhuma formação acadêmica. Neste caso isentaram o profissional de sua documentação obrigatória. Isto não ficou claro. O que é certo é que, o país não está preparado para cumprir a obrigatoriedade imposta por esta Lei. O governo não faz gestões de aprimoramento profissional ou para se formar professores músicos, o que se vê, são ações isoladas de desperdício de dinheiro público com a compra milionária de instrumentos e equipamentos que são distribuídos por todo Brasil, sem acompanhamento, fiscalização, e a verificação da utilização correta dos instrumentos e o nível de aproveitamento por parte dos alunos das escolas. .
      Segundo o MEC, nestas aulas de música será recomendado a aplicação de noções básicas de música, cantos cívicos nacionais, sons de instrumentos de orquestra, os alunos devem aprender canto e a diversidade cultural do Brasil: ritmos; danças e sons de instrumentos regionais e folclóricos. O texto é bonito mas, na prática, o professor leigo sabe o que é percepção musical? .
No mês passado,
o Ministério da Educação com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) beneficiou 84 escolas da rede estadual de educação e outras 41 escolas municipais no Estado de Goiás. O kit entregue é composto de teclado eletrônico, instrumentos de sopro: cornetas e cornetões, de percussão: surdos, bombos, caixas de guerra e pratos. .
       Existem inúmeras escolas no Estado de Goiás com equipamento ocioso, muitas das vezes ainda lacrado, sem nenhum profissional para ministrar aulas de música na escola e sem perspectiva de aproveitamento do equipamento, como é o caso do Colégio Estadual Ary Ribeiro Valadão Filho na cidade de Inhumas. Tem uma fanfarra desativada há vários anos por falta de professor. No final do ano passado recebeu da Secretaria Estadual de Educação alguns instrumentos de sopro como clarineta, bombardão e percussão sem ao menos ter o profissional para ministrar aulas. A falha é de quem? O dinheiro gasto e de quem? Quem vai utilizar os instrumentos? Pessoas contratadas para justificar o cargo? E isto não é um fato isolado. Ocorre em inúmeros estabelecimentos de ensino de nosso Estado. .
Enquanto bandas e fanfarras tradicionais são penalizadas pela aquisição de equipamento insuficiente para continuar seu trabalho, outras escolas nem sabem o que fazer com o que tem. .
      Com a introdução obrigatória de aulas de música nas escolas, como realmente estas aulas serão ministradas? Por acaso será um momento de lazer? Cantar por cantar. Realização de karaokê na escola. Sem um objetivo educacional e um bom profissional, não levará a lugar algum. O que poderá ocorrer serão frustrações por parte dos alunos, que muitos serão um tanto superiores nas brincadeiras de karaokê que os “falsos professores da educação musical”. Que educação musical? .
Para os líderes educacionais, leigos na área musical que não lutaram pela inclusão do profissional habilitado na educação, fica uma dica: “música eleva o poder de concentração, raciocínio e discernimento da lógica”. .
De acordo com a Associação Brasileira da Música (Abemúsica) na primeira edição da revista A Importância da música para as crianças, um estudo realizado com 7.500 estudantes universitários revelou que estudantes com formação em Música alcançaram melhores resultados entre todos os outros estudantes de outras matérias, incluindo Inglês, Biologia, Química e Matemática. .
       O médico e biólogo Lewis Thomas estudou os universitários inscritos em escolas de medicina. Ele descobriu que 66% desses estudantes com formação em música que se inscrevem em escolas de medicina foram admitidos, a mais alta porcentagem de todos os grupos.
Nas décadas de 30 e 40 do século passado, houve um avanço na educação com a inclusão do canto orfeônico, que foi introduzido por Vila Lobos nas escolas, com a finalidade de ensinar a prática de música impondo como uma solução lógica, não só a formação de uma consciência musical, mas também como um fator de civismo e disciplina social coletiva. Porém naquele momento, esqueceram que no Brasil a Educação não estava preparada para aplicar estes ensinamentos. Não havia profissionais capacitados e criaram cursos emergenciais e cursos de férias de formação qualitativa duvidosa que nunca alcançaram os níveis desejados. .
Portanto, não podemos incorrer no mesmo erro, subestimar e não valorizar o profissional músico e substituí-lo por leigos que apenas poderão fazer brincadeiras de karaokê.