Jovem atropelado na Paulista quer punição ‘severa’ a motorista

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Jovem que teve braço decepado após atropelamento abraça quem o socorreu (Foto: Paulo Toledo Piza/ G1)O operador de rapel David Santos Sousa, que perdeu o braço direito ao ser atropelado na Avenida Paulista, no dia 10 de março, disse que quer que o motorista que o atingiu seja punido. O jovem de 21 anos afirmou em entrevista nesta terça-feira (26) que perdoa o estudante de psicologia Alex Kosloff Siwek, também de 21 anos, por não ter prestado socorro e ter jogado o membro amputado em um córrego, mas ressaltou que espera que a pena “seja bem severa”.

Ao lado da mãe, de seu advogado, Ademar Gomes, e dos dois homens que o socorreram no dia do acidente, David afirmou não ter raiva de Alex. “O sentimento é de pena. Tenho muita pena dele. Tive uma criação que favorece muito o respeito ao ser humano”, disse, no escritório do defensor, nos Jardins, em São Paulo.

O jovem teve alta hospitalar no fim de semana e agora começa a se adaptar à nova vida. Um de seus sonhos é poder voltar a trabalhar e a desenhar, seu passatempo predileto. “Agora vou treinar com a mão esquerda. Vai ser bom para mim.” David também quer voltar a andar de bicicleta. Ele espera não ter trauma – o acidente aconteceu quando pedalava na ciclofaixa da Paulista. “Vou me adaptar. Tenho muito orgulho de andar de bicicleta”, disse.

David aproveitou a ocasião para pedir ajuda: ele precisa de tratamento fisioterápico urgente, mas não conseguiu vaga a tempo. “Vimos que só tem vaga em setembro. Mas ele precisa disso logo”, disse o advogado Gomes.

O advogado do ciclista afirmou que pretende pedir uma indenização a David, mas que o valor da ação ainda não foi definido. Gomes disse também que uma decisão judicial sobre a possível indenização pode levar de cinco a dez anos para sair.

 

Atropelamento
O jovem teve o braço decepado ao ser atropelado na Avenida Paulista, em 10 de março, pelo estudante de psicologia Alex Siwek. Alex foi preso pelo atropelamento ainda no dia do acidente, mas deixou a Penitenciária Doutor José Augusto Salgado de Tremembé, no interior de São Paulo, em 21 de março. Um exame clínico feito após o incidente apontou vestígios de álcool no motorista, mas concluiu que ele não estava embriagado no momento da colisão.

David ia para o trabalho quando foi atingido pelo carro conduzido por Alex. Testemunhas disseram que o carro andava em zigue-zague e já tinha derrubado alguns cones colocados na Avenida Paulista para sinalizar a instalação da ciclofaixa.

Na descrição da polícia, Alex estava dentro de um Honda Fit ao lado de um amigo quando o acidente ocorreu, por volta das 5h30. O braço direito do ciclista foi amputado por estilhaços de vidro do pára-brisa e permaneceu preso ao veículo. O motorista fugiu do local, deixou o amigo em casa e depois foi à Avenida Doutor Ricardo Jafet, de onde lançou o braço em um córrego. Depois, voltou à própria casa, guardou o carro na garagem e dirigiu-se a pé à unidade policial para se entregar.

O estudante Thiago Chagas dos Santos, que já tinha feito curso de primeiros-socorros, foi a primeira pessoa a prestar atendimento ao ciclista.

 

Reencontro
Em um momento de grande emoção, nesta terça-feira, David reencontrou, pela primeira vez desde o acidente, os dois homens que o salvaram. Na madrugada do acidente, o estudante de publicidade e técnico em enfermagem Thiago Chagas dos Santos, de 26 anos, e o coordenador de informática Agenor Pereira Jr., de 41, voltavam de uma festa quando ouviram o som de uma forte batida de carro.

Os dois viram que David tinha sido atingido e correram para ajudá-lo. Thiago pediu para o amigo ligar para o Samu e, usando a experiência na área médica, efetuou os primeiros socorros. “Não senti o pulso. Então, fiz respiração boca-a-boca, massagem cardíaca”, contou.

Quando o jovem voltou à consciência, Agenor, mais calmo, saiu pela Paulista à procura do braço de David. Enquanto isso, o estudante de publicidade tentava manter David acordado, evitando que este entrasse em choque.

Ao rever os amigos nesta terça, David os abraçou e disse, com os olhos marejados: “a eles que eu devo minha vida.” Segundo Thiago, se o socorro não fosse feito rapidamente, havia a possibilidade de a vítima sofrer sequelas graves, incluindo problemas neurológicos irreversíveis.

“Meu foco agora é continuar a viver a minha vida”, resumiu o jovem, que aproveitou para agradecer a todos que rezaram por ele. “Isso me deu mais força para viver, para não me abater por nada.” Ele acrescentou que quer encontrar o rapaz que o atropelou, para dizer que o perdoa.

 

Fonte: G1