Fiscais do Ibama recolhem 260 peças fabricadas a partir de bichos.

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Fiscais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) apreenderam ontem cerca de 260 peças de artesanato comercializadas ilegalmente na Capital. No balanço geral, 13 comerciantes foram detidos e encaminhados à Delegacia Estadual do Meio Ambiente (Dema) por venderem brincos, relógios e roupas que traziam partes de animais. Com três estabelecimentos das regiões Campinas, central e sul vistoriados, a operação de fiscalização foi batizada de “Moda Triste” e tentou coibir a comercialização de partes de animais da fauna silvestre brasileira, como peles, penas e dentes em todo o País.

O diretor da fiscalização do Ibama em Goiás, Pedro Alberto Begnelli, afirma que os flagrantes mais comuns na Capital utilizavam asas de borboletas ou estrela-do-mar em relógios de parede. Outro crime ambiental encontrado pelo Ibama nas ruas e shoppings da cidade foi a confecção de brincos, colares e outros enfeites a partir de penas de araras e papagaios, que são capturados e mortos para esse objetivo. “A captura para comercialização caracteriza caça comercial que é proibida pela legislação, embora os estabelecimento comerciais tenham conhecimento disso”, adverte.

O delegado titular da Dema, Wilton Vieira, explica que a Operação Moda Triste tem respaldo na Lei dos Crimes Ambientais – Lei nº 9.605/98, que caracteriza, no artigo 29, “matar, caçar, apanhar, utilizar animais da fauna silvestre brasileira sem a devida permissão ou licença como crime ambiental. A pena varia de detenção de seis meses a um ano e multa”. Está sujeito às mesmas sanções “quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro, utiliza ou transporta espécies da fauna silvestre, bem como produtos e objetos dela oriundos, sem a devida permissão ou licença.”

Uma equipe de fiscalização do Ibama apreendeu, em outubro do ano passado, 1.305 quadros com mais de 2.200 borboletas, em Cristalina (283 km de Goiânia). Os comerciantes, que não apresentaram documentação de origem dos animais, foram multados em R$ 1,1 milhão. Já em janeiro deste ano, uma grife famosa de roupas de luxo foi multada pelos fiscais do Ibama por comercializar sandálias com borboletas mortas no salto de acrílico, na capital paulista.