Dengue um estado doentio

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A incidência de casos de dengue no Estado de Goiás aumenta diariamente. Dos 246 município 152 estão classificados no grupo de alto risco. Se comparados o número de casos confirmados ao mesmo período do ano passado, apresentam um aumento de 558,6%. A cidade de Goianira, desde o final do ano passado, ocupa uma posição de frente em relação aos demais municípios, com um percentual proporcional de maior número de casos de dengue confirmados.

O Ministério da Saúde adverte que, 98 % dos criadouros, estão dentro dos domicílios. Porções de água parada em calhas, latas, garrafas, vasos de plantas, pneus são criadouros perfeito para o mosquito Aedes aegypti.
O que poucos sabem é que, o ovo do mosquito passa por um período de dormência de até mais de 450 dias sem água e, somente vai eclodir assim que tiver contato com a água. Portanto, a água, é fundamental para se iniciar o ciclo de vida do mosquito.

Uma das ações utilizada no combate ao Aedes aegypti é a borrifação de veneno através unidade móvel veicular, mais conhecido como carro fumacê e bombas costais. Para que se realize uma ação de aplicação de veneno é recomendado que seja feito uma busca ativa do criadouro e, posteriormente a sua eliminação. Ao borrifar veneno pode ocorrer desequilíbrio no meio ambiente, matando não só os mosquitos da dengue, como outros insetos além de prejudicar a saúde.

É até verdade que a população só acredita na ação de combate a dengue quando vê o carro fumacê borrifando veneno mas, não devemos nos acomodar que o uso freqüente de carros fumacê podem resultar num efeito inverso e, em vez de eliminar o mosquito pode contribuir para que ele fique resistente à ação do veneno e, com isso, se torne ainda mais difícil o combate aos vetores da doença.

O que se vê são ações isoladas, depois de comprovados os casos, ou seja, quando se constata um caso de dengue, equipes da Vigilância Sanitária e Agentes de Saúde realizam uma limpeza geral e dedetização na residência da pessoa infetada e seus vizinhos mais próximos.

O mosquito não é um ser imóvel, nem muito menos estático. Ele voa sem limite de espaço e direção, podendo ir até mais longe dependendo das ações do tempo. O vento, um veículo de transporte seja terrestre, aéreo ou marítimo podem contribuir para a disseminação do mosquito.

Se as ações das equipes de saúde são de caráter preventiva porque tanta demora nas ações. Primeiro, tem de se ter um caso suspeito, depois é feito exames, o resultado não sai de imediato, passa-se dias até a comprovação. Somente depois do indivíduo ter contraído dengue é que se vai tomar providência de dedetização e limpeza.

Diante deste fato porque é que se diz que a ação do Governo em relação o dengue é preventiva, se na verdade primeiro acontece o fato e sua comprovação, para depois tomar as devidas providências. Devemos fortalecer as ações e mobilização permanente da comunidade em mutirões de limpeza e campanhas educativas.

É mais compensador para os governantes esperar que aconteça algo para depois tomar providências! Ou será que é melhor deixar como está e fazer uma medida paliativa de ações isoladas e midiaticas, deixando que os casos se multipliquem.

Por falar em multiplicar, quanto mais casos, mais verbas serão necessário. Pode ser que aí está um fato a ser revisto, ninguém fala do valor montante gasto com estas ações. E quem são os maiores beneficiados financeiramente.

Para atiçar sua curiosidade, imaginem que para suprir a demanda no Brasil deve-se privilegiar todos os municípios, quanto será gasto na compra de equipamentos de segurança, veículos, bombas, toneladas de veneno, convênios hospitalares, laboratórios, empresas de veiculação de mídias …

Enfim, existe toda uma cadeia de interessados na elevação dos gastos, conseqüentemente, o dengue não deixará de existir.