Carta aberta ao presidente da Comurg

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Secretário de Estado das Cidades - João BalestraA respeito de declarações feitas pelo presidente da Comurg, Paulo de Tarso, na manhã desta terça-feira (25 de junho) no programa Falando Francamente, da Rádio Mil, o secretário de Estado das Cidades, João Balestra, esclarece que:

1. Não há, não houve e nunca haverá motivação política ou eleitoreira por trás das intervenções e ações desta pasta. Por ordem expressa do governador Marconi Perillo, o que nos move é o mais sincero interesse em promover o bem e melhorar as condições de vida da população. Os agentes públicos que trabalham no governo não servem a partidos ou grupos, mas ao povo goiano como um todo.

2. O corpo de auxiliares do governador, e em especial o titular da Secretaria das Cidades, é entusiasta do relacionamento cordato e respeitoso entre as esferas de poder. Jamais partirá deste governo - ou desta pasta - a iniciativa de criar arestas, fomentar picuinhas ou debates estéreis. Estamos em sintonia com o clamor das ruas e não sobrestamos os interesses da coletividade em troca de questiúnculas partidárias.

3. Reafirmamos, como já o fizemos em ocasiões anteriores, a nossa preocupação com o tratamento dispensado pela prefeitura de Goiânia ao problema da coleta seletiva de lixo, que hoje alcança apenas 7% dos resíduos sólidos descartados na Capital. Este índice, ao nosso ver, está muito aquém do razoável. Por isso, nos colocamos à inteira disposição para parceiras e gestões conjuntas em torno da reciclagem.

4. A Secretaria das Cidades estranha e lamenta a demora da prefeitura para definir as duas áreas onde serão construídos os galpões para triagem de lixo da Capital. Desde 2008, há R$ 1,2 milhão do governo federal disponíveis para erguer os complexos (que terão 2,4 mil metros quadrados cada), mas o dinheiro segue em caixa porque a administração municipal não cede os terrenos. Ao contrário do que disse o presidente da Comurg, a prefeitura não foi a única a se movimentar para que os recursos não fossem devolvidos. O Estado é - e sempre foi - parte importante nessa negociação.

5. Vale lembrar que enquanto permanece o impasse em Goiânia, em Aparecida e Anápolis dois galpões foram construídos com dinheiro do governo federal e já estão em funcionamento. Nestes municípios, o impacto ambiental causado pelo lixo é dezenas de vezes menor.

6. A Secretaria das Cidades também estranha o desejo manifesto pelo presidente da Comurg de romper parcerias com cooperativas de lixo que, segundo ele, "já conseguem caminhar com pernas próprias". O governo do Estado acompanha e monitora o trabalho destas cooperativas há anos e desconhece o fato de haver grupos de catadores que não dependam mais do lixo coletado pela prefeitura. Seria de bom tom que o presidente especificasse quais cooperativas estão prontas para se desvincular do poder público. Caso contrário, estaria sujeito a responder pela suspeita de agir por motivações políticas e de patrocinar retaliações.

7. De resto, reafirmamos o mais sincero e entusiasmado desejo de estabelecer parcerias profícuas com a Comurg e demais órgãos da administração municipal. Nos move o propósito de executar projetos e programas que atendam aos reais interesses da população e mitiguem a insatisfação que, nos últimos dias, tem levado milhares de pessoas às ruas.

João Balestra

Secretário de Estado das Cidades